domingo, 7 de novembro de 2010

CARACTERISTICA DA ESCRITA E DA LEITURA - SILABICO ALFABÉTICO

NÍVEL SILÁBICO-ALFABÉTICO
Para a criança silábica é impossível ler o que as pessoas escrevem convencionalmente. A criança acha que sempre sobram letras na escrita convencional, ou seja, tem mais letras nas palavras do que os sons emitidos na fala.
A criança silábica entra em conflito porque sabe que, nos livros e nas escritas de pessoas alfabetizadas, a grafia é correta, e que essas pessoas têm a autoridade de saber ler e escrever.
O confronto entre grafias corretas de palavras e o tipo de escrita silábica (em vias de ser abandonada) produzida pela criança, é fonte de reflexão e ajuda na passagem para o nível silábico-alfabético, porque a criança percebe a necessidade de colocar mais letras do que as que põem no nível silábico.
As crianças neste nível aumentam o número de letras em suas escritas de duas formas:
 Ou voltam a escrever com muitas letras e com quaisquer letras abandonando a hipótese silábica;
 Ou continuam escrevendo silabicamente, acrescentando no final da palavra que escrevem mais letras aleatoriamente, conservando em parte a hipótese do nível silábico, podendo haver conflito entre a escrita silábica e a quantidade mínima de letras.
Tais comportamentos confundem muitos os professores/alfabetizadores, que precisam estar atentos para entender e analisar essas situações.
Este tipo de solução, de aumentar o número de letras é que caracteriza o nível silábico-alfabético, apesar de ser uma solução que resolve apenas uma parte do problema.
A criança escreve então, nas palavras, algumas sílabas só com uma letra e outras sílabas com duas letras. Mas ainda vai persistir o problema da decodificação, de como ler o que escreveu.

CARACTERÍSTICAS DA ESCRITA E DA LEITURA
  •  conflito entre a hipótese silábica e a exi¬gência de quantidade mínima de caracteres.
  •  Dificuldades da criança em coordenar as hipóteses que foi elaborando no curso dessa evolução, assim como as informações que o meio ofereceu.
  •  A criança descobre que a sílaba não pode ser considerada como unidade, mas que ela é composta de elementos menores - as letras. Enfrenta novos problemas:
  •  no eixo quantitativo, percebe que uma letra apenas não pode ser considerada síla¬ba porque existem sílabas com mais de uma letra. Assim, sem nenhum critério, vai aumen-tando o número de letras por sílabas.
  •  no eixo quantitativo, a criança percebe que a identidade do som não garante a identidade das letras, nem a identidade das letras, a do som. Existem letras com a mesma grafia e vários sons. Descobre que existem sons iguais com grafias diferentes e que, na maioria das vezes, não se fala o que se escreve e não se escreve o que se fala.
  •  A criança procura acrescentar letras à escrita da fase anterior (silábica).
  •  Grafa algumas sílabas completas e outras incompletas (com uma só letra por sílaba). Usa as hipóteses dos níveis silábico e silábico-alfabético ao mesmo tempo.
  •  A ausência de letras em sua escrita não pode ser considerada pelo professor como omissão ou retrocesso. Porque, na verdade, é uma progressão nos níveis conceituais.
  •  As crianças esbarram na leitura e escrita de palavras que são iniciadas por vogais. Como saída, elas podem fazer a inversão das letras tanto na leitura como na escrita.

TRABALHANDO COM LETRAS, PALAVRAS, SÍLABAS E TEXTOS
Em todo processo de alfabetização, deve-se cuidar para que todas as atividades de leitura e escrita propostas aos alunos apare¬çam contextualizadas e associadas a uma sig-nificação, isto é, ligadas a aspectos da vida das crianças ou as atividades que realizam em sala de aula ou em casa.
Os jogos, as brincadeiras, as rodas de con¬versa, a troca de idéias entre os alunos, e mesmo um pouco de competição entre eles, tornam a aprendizagem um processo de cons-trução do conhecimento por eles mesmos.
É muito importante que o professor saiba que tipos de atividades deverão ser desenvol¬vidas para que as crianças avancem nos ní¬veis conceituais da escrita e da leitura e nos seus estágios de desenvolvimento cognitivo.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES
  •  jogos e atividades variadas com alfa¬beto móvel e silabas móveis;
  •  caça-palavras;
  •  cruzadinhas;
  •  jogos de memória, bingo, dominós diversos;
  •  leitura e interpretação oral de diferen¬tes textos, poesias, músicas, parlendas, textos do aluno e do professor, notícias, reportagens, bulas de remédio etc.;
  •  produção de textos coletivos;
  •  adivinhações, trava-línguas, quadrinhas, anedotas;
  •  listas, anúncios, propagandas;
  •  análise e síntese de palavras significativas;
  •  escritas espontâneas, autoditado; e leitura de livrinhos de literatura, jornais e revistas (em grupo ou individual);
  •  classificação e seriação de palavras;
  •  recortes, dobraduras, pinturas, encaixes - propiciam às crianças novas formas de expressão e o uso, em sua linguagem, de novas palavras;
  •  oficina de histórias, reconto, reescrita;
  •  diálogos, entrevistas e reportagens surgidos nas situações cotidianas; e transcrição de receitas, brincadeiras, piadas; e recorte de figuras ou palavras para montagem de álbuns ou dicionários;
  •  recontar vídeos, excursões, experiências; e reestruturar frases de poesias, parlendas ou músicas que os alunos já sabem de cor; e localizar palavras num texto, copiá-las separando suas sílabas num diagrama.
São inúmeras as possibilidades de trabalhar a linguagem oral e escrita no nível silá-bico- alfabético, pois, nesse nível, as crianças apresentam um desenvolvimento acelerado, já iniciando a leitura e a escrita de forma mais independente.




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